terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Elefante Acorrentado


Você já observou um elefante no circo? Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força impressionantes, mas antes de entrar em cena, o elefante permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
Sem dúvida a estaca é um pequeno pedaço de madeira. E, ainda que a corrente fosse grossa parece óbvio que esse animal, capaz de arrancar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
E por que não foge?
Perguntei então a um adestrador e ele explicou que o elefante não escapa porque está adestradp. Fiz então a pergunta óbvia. Se está adestrado, por que o prendem? Não houve resposta.
Há alguns anos descobriram que alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: 'o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno'.
Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido logo preso. Naquele
momento, o elefantinho poderia puxar, forçar, tentando se soltar. E apesar de todo o esforço, não pode sair. A estaca era certamente muito pesada para ele.
E o elefantinho, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino. Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
E jamais voltou a colocar em prova sua força, isso muitas vezes acontece com a gente! Vivemos crendo em muitas coisas que "não podemos, que não vamos conseguir", por mais que tentemos, simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos "nãos", que isso ficou gravado na nossa memória, nos fazendo perder a criatividade e aceitarmos o: "sempre foi assim".
De vez em quando sentimos as correntes e confirmamos o estigma: "Não posso, nunca poderei é muito grande pra mim!". A única maneira é tentar de novo e não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter medo de arrebentar as correntes.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Não sou perfeita
Sou mais uma em um milhão
Adolescente
Estranha e fora do padrão
Desde pequena
A mais capeta do jardim
Agora eu sinto
O peso todo sobre mim

Dezoito anos
Inconseqüente
Você não entende e fala mal da minha tattoo
Com a sua família
Feliz no carro
Na sua frente eu vou passar correndo n*!!

E aí
Quando o sol então sair, eu sei
Nada me preocupa
Na terra do nunca
Não é minha culpa
Se a vida é uma ilusão

Hipocrisia
E falsidade
Os seus valores são dinheiro e o poder
Se ser adulto
É desse jeito
Então desculpe, eu nunca mais quero crescer

E aí
Quando o sol então sair, eu sei
Nada me preocupa
Na terra do nunca
Não é minha culpa
Se a vida é uma ilusão

Terra do Nunca - For fun (editado por mim ;D Priii)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Círculo de amor




Uma senhora estava estacionada no acostamento de uma rodovia, quando ela viu um homem que se aproximava.
Ele quase não viu a senhora, com o carro parado no acostamento, mas percebeu que ela precisava de ajuda. Assim parou seu carro e se aproximou.
O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho.
Mesmo com o sorriso que ele estampava na face, ela ficou preocupada. Ninguém tinha parado para ajudar durante a última hora. Ele iria aprontar alguma?
Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto. Ele pôde ver que ela estava com muito medo e disse:
- "Eu estou aqui para ajudar madame. Por que não espera no carro onde está quentinho? A propósito, meu nome é Bryan".
Bem, tudo que ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora era ruim o bastante.
Bryan abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro. Logo ele já estava trocando o pneu. Mas ele ficou um tanto sujo e ainda feriu uma das mãos.
Enquanto ele apertava as porcas da roda, ela abriu a janela e começou a conversar com ele. Contou que era de St.Louis e só estava de passagem por ali e que não sabia como agradecer pela preciosa ajuda.
Bryan apenas sorriu enquanto se levantava. Ela perguntou quanto devia.
Qualquer quantia teria sido muito pouco para ela. Já tinha imaginado todos as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se Bryan não tivesse parado.
Bryan não pensava em dinheiro. Aquilo não era um trabalho para ele. Gostava de ajudar quando alguém tinha necessidade e Deus já lhe ajudara bastante.
Este era seu modo de viver e nunca lhe ocorreu agir de outro modo. Ele respondeu:
- "Se realmente quiser me reembolsar, da próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê para aquela pessoa a ajuda que precisar".
E acrescentou: "... e pense em mim". Ele esperou até que ela saísse com o carro e também se foi.
Tinha sido um dia frio e deprimido, mas ele se sentia bem, indo pra casa, desaparecendo no crepúsculo.
Algumas milhas abaixo a senhora encontrou um pequeno restaurante. Ela entrou para comer alguma coisa. Era um restaurante sujo. A cena inteira era estranha para ela.
A garçonete veio até ela e trouxe-lhe uma toalha limpa para que pudesse esfregar e secar o cabelo molhado e lhe dirigiu um doce sorriso, um sorriso que mesmo os pés doendo por um dia inteiro de trabalho não pode apagar.
A senhora notou que a garçonete estava com quase oito meses de gravidez, mas ela não deixou a tensão e as dores mudarem sua atitude. A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem a um estranho. Então se lembrou de Bryan.
Depois que terminou a refeição, enquanto a garçonete buscava troco para a nota de cem dólares, a senhora se retirou. Já tinha partido quando a garçonete voltou. A garçonete ainda queria saber onde a senhora poderia ter ido quando notou algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha mais 4 notas de $100 dólares. Havia lágrimas em seus olhos quando leu o que a senhora escreveu.
Dizia: "Você não me deve nada, eu já tenho o bastante. Alguém me ajudou uma vez e da mesma forma estou lhe ajudando. Se você realmente quiser me reembolsar, não deixe este círculo de amor terminar com você".
Bem, havia mesas para limpar, açucareiros para encher, e pessoas para servir.
Aquela noite, quando foi para casa e deitou-se na cama, ficou pensando no dinheiro e no que a senhora deixou escrito.
Como pôde aquela senhora saber o quanto ela e o marido precisavam disto? Com o bebê para o próximo mês, como estava difícil! Ela virou-se para o preocupado marido que dormia ao lado, deu-lhe um beijo macio e sussurrou:
"Tudo ficará bem; eu te amo, Bryan".

Pense nisso, e ..... não feche esse círculo!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Acabe com o estresse

Veja como é possível sair do estresse mesmo em ambiente de trabalho. Reserve alguns minutos de folga para relaxar, pode até ganhar uma viagem com isso!!!



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Talvez eu seja chata de mais pra ser feliz


Durante tantos anos venho tentando ser feliz, lutando e aprendendo com as lições da vida...
Me lembro de uma época em que eu era feliz, eu tinha apenas 5 anos de idade, nenhuma preocupação, muito amor e carinho... amigas... é, eu realmente era feliz!!! Logo após essa fase pra mim já começou a fase difícil, onde eu fui esquecida e coberta pela separação dos meus pais... eu sofria pois entendia o que estava acontecendo mas queria meu pai do meu lado, eu sofria com dores, febre, cheguei até a quebrar o dedo e mesmo assim não tive a atenção do meu pai... fui trocada por uma outra mulher e um bebê que estava a caminho...
Ele era mais fofinho que eu, não era teimoso pois ainda nem sabia o que estava fazendo no mundo! Talvez por isso fui trocada... talvez eu fosse chata de mais para o meu pai...
Não podia contar com a minha mãe pois era ela que contava comigo, foram tantas as tentativas de acabar com tudo (literalmente) e em todas elas eu estava presente, observando tudo com dor no coração e medo de perder além do meu pai, a minha mãe também...
Com o tempo fui me acostumando com essa situação mas sempre sem me conformar porque eu tinha sido trocada... sempre sentindo aquele vazio naquele coraçãozinho tão pequeno e tão cheio de esperanças... Cresci... e aprendi a conviver com tudo isso mostrando ser forte, algumas decaidas, revoltas bobas de adolescente... e aquele vazio aumentando cada vez mais, a cada novo segundo de vida era um pedacinho que aumentava desse vazio... e eu já sabia que uma hora esse vazio ia tomar conta de mim completamente e eu seria uma pessoa vazia... eu não queria isso pra mim, então encontrei alguém que aparentemente pareceu poder preencher esse vazio em mim, nossa mas como eu fui feliz ao pensar nisso, eu finalmente tinha encontrado a solução, eu estava amando!!!
Amei a pessoa errada, fui trocada mais uma vez e o vazio dobrou... fui enganada, mas porque me enganaram se eu não enganei ninguém? porque fizeram isso comigo se eu nunca fiz nada de errado? Até hoje eu não tenho respostas!!!
Bom, mas eu ainda tinha um restinho de esperança, ainda pensava em ser feliz... até porque com o amor que tive aprendi muita coisa... muita coisa mesmo!!! E agora sim me sentia preparada para amar e mais uma vez acreditei que alguém conseguiria preencher meu vazio... E mais uma vez me enganei... Me apaixonei, me senti segura, protegida... amei!! Fui iludida e enganada de novo, mas porque? Não sei... talvez eu fosse chata de mais para ele!
Cansei... cansei de tentar preencher o vazio, encarei a realidade de que ninguém seria capaz de me dar todo o amor, o carinho e a atenção que eu precisava, ninguém seria capaz de aguentar a minha carência e a minha chatisse... talvez eu fosse insuportável de mais para isso... e tentei seguir assim, triste... sozinha, e desiludida!! Até que eu conheci uma pessoa especial, diferente das outras, ele me dava atenção... Nossa ele realmente me dava atenção... ele me dava carinho... Eu não acreditava nisso, ele fazia carinho em mim, ele segurava minha mão, com muita timidez mas segurava... A coisa que eu mais gostava era poder encostar minha cabeça em seu ombro, fechar os olhos e sentir seu toque em minhas mãos, sentir sua respiração tão de perto... eu sentia caramba... poxa eu estava sentindo aquilo de novo, mas era tão forte, tão forte que eu não sabia mesmo se era amor ou algo maior...
Ele me protegia, ele me entendia... nossa como era bom sentir sua pele... ele era meu principe... era um pouco desligado, meio bobo rsrs mas eu adorava, aliás... eu amava tudo aquilo... mas tinha medo, havia sido iludida por tantas vezes, por tantos anos... pelos meus pais, pelos meus amores... porque eu tentaria um novo amor? já havia tentado e sem sucesso acabei rasgando ainda mais o vazio em mim, não queria tentar de novo! Mas também não queria ficar sozinha, e pra não amar (eu não queria amar) beijei outras pessoas, mas nenhuma delas me fazia sentir o mesmo que ele, era ele eu sabia que era ele mas não queria aceitar o amor em mim novamente... então neguei esse amor, resisti a ele mas por pouco tempo... mesmo com medo de amar eu amei, e aceitei viver minha vida ao lado, é... ele me amava também!!! Ele me amava tanto tanto, ele fazia tudo por mim, ele me fazia surpresas, ele me dava beijinhos carinhosos, ele pegava na minha mão, tinha chiliques de amor, me fazia rir, me fazia chorar de emoção com suas palavras encantadoras, ele era perfeito pra mim, eu tinha encontrado a pessoa que talvez pudesse tirar de mim a idéia de não conseguir mais preencher o vazio... ele ia conseguir, eu sabia que ele ia conseguir me fazer tão feliz quanto eu estava naquele momento... Então eu me entreguei... Mas não foi bem assim... como todo o amor esse se desgastou...
Ouvi palavrões, ofensas... reclamações, fui expulsa da vida dele, não via mais lágrimas nos olhos dele por medo de me perder ou por felicidade de estar comigo, acabou! Me sinto uma qualquer, me sinto pior do que qualquer outra pessoa no mundo, me sinto vulnerável... nossa eu me sinto a pior pessoa do mundo, eu não tenho mais motivos para seguir tentando, lutando... pra que? Vou tentar de novo pra que?
E hoje estou eu aqui de novo, com esse vazio ainda maior do que antes, totalmente sem esperanças de que ele possa ser preenchido... já sei que não pode, já sei que mais uma vez vou ser trocada... eu já sei que vai ser tudo igual... e porque seria diferente? Talvez eu seja chata de mais pra ser feliz!!!

Priscila Martins

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Recomeçar


Sempre é tempo de recomeçar.
Em qualquer situação podemos abrir novas portas, conhecer novos lugares, novas pessoas, ter outros sonhos.
Renovar o nosso compromisso com a vida e assim, renascer para a vida e alcançar a felicidade.
Não importa quem te feriu, o importante é que você ficou.
Não interessa o que te faltou, tudo pode ser conquistado.
Não se importe com quem te traiu, você foi fiel.
Não se lamente por quem se foi, cada um tem seu tempo.
Não reclame da dor, ela é a conselheira que nos chama de volta ao caminho.
Não se espante com as pessoas, cada um carrega dentro de si, dores e marcas que alteram o seu comportamento, ora estamos felizes e transbordamos de alegria e paz, ora estamos melancólicos e só queremos ficar sozinhos...
O mundo está cheio de novas oportunidades, basta olhar para a terra depois da chuva. Veja quantas plantinhas estão surgindo, como o verde se espalha mais bonito e forte depois da tempestade.
As portas se abrem para os que não tem medo de enfrentar as adversidades da vida, para os que caíram, mas se levantam com o brilho de vitória nos olhos.
Todo o caminho tem duas mãos, uma que seguimos ainda com passos inseguros, com medo, porque não sabemos ainda o que vamos encontrar lá na frente, na volta, mesmo derrotados, já sabemos o que tem no caminho, e quando um dia, resolvemos enfrentar os nossos medos e fazer essa viagem novamente, somos mais fortes, nossos passos são mais firmes, já sabemos onde e como chegar ao destino, o destino é a vitória, o seu destino é ser feliz, eu creio nisso, e você?
Você está pronto para recomeçar?
O caminho está a tua espera, pé na estrada, coloque um sonho na alma, fé no coração e esperança na mochila, a vida se enche de novidades para os que se aventuram na viagem que conduz a verdadeira liberdade.

Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Littlest Things
Lily Allen

Às vezes me encontro relembrando
Especialmente quando eu tenho que ver outros se beijando
E me lembro de quando você começou a me chamar de sua menina
Todas briguinhas de brincadeira, todos os flertes
Eu te contei historias tristes da minha infância
Eu não sei porque confiei em você, mas eu sabia que podia
Nós passavamos o fim de semana no meio da nossa própria sujeira
Eu era tão feliz nas suas cuecas e camisetas

Sonhos, sonhos
Quando só havíamos começado as coisas
Sonhos de você e eu
Me parece, me parece
Que não posso apagar essas memórias!
Eu imagino se você tem os mesmos sonhos que eu...

As pequenas coisas que me levaram lá
Eu sei parece besteira, mas é tão real
Eu sei não é certo, mas parece injusto
Que as coisas me lembrem você
às vezes eu queria que pudéssemos só fingir
Mesmo que só por um fim de semana
Então venha, me diga
É o fim?

Bebendo chá na cama
Assistindo DVDs
Quando encontrei todas as suas grotescas revistas
Você me levou ao shopping e tudo que compramos foram tênis
Como se alguma vez tivéssemos necessitado de algo mais para nos distrair
A primeira vez que você me apresentou à seus amigos
E você pode dizer eu estava nervosa, então você segurou minha mão
E quando estou mal você faz "aquela cara"
Não há ninguém no mundo que possa te substituir

Sonhos, sonhos
Quando só havíamos começado as coisas
Sonhos de eu e você
Me parece, me parece
Que não posso apagar essas memórias!
Eu imagino se você se sente como eu...

As pequenas coisas que me levaram lá
Eu sei parece besteira, mas é tão real
Eu sei não é certo, mas parece injusto
Que as coisas me lembrem você
As vezes eu queria que pudéssemos só fingir
Mesmo que só por um fim de semana
Então venha, me diga
É o fim?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colassanti